Em visita técnica, MP-AP verifica que a SESA não adotou as medidas necessárias para melhorar o atendimento no Hospital da Mulher Mãe Luzia

Publicado em 10/04/2018 20:56:36.

WhatsApp Image 2018 04 10 at 16.49.28 1Durante visita técnica realizada no Hospital da Mulher Mãe Luiza (HMML), nessa segunda-feira (9), a Promotoria de Defesa da Saúde não só confirmou a denúncia do desabamento de parte do forro sobre a rampa de acesso ao piso superior, como verificou outras graves irregularidades e ausência de procedimentos fundamentais para a segurança dos pacientes, como a classificação de risco.

Após abrir procedimento para apurar mais um óbito materno no HMML, ocorrido no dia 8 de março deste ano, a Promotoria fez uma diligência no local e reuniu com os dirigentes da Secretaria Estadual de Saúde (SESA) e corpo técnico da maternidade. No encontro, o Ministério Público do Amapá (MP-AP) cobrou as providências necessárias para melhorar o atendimento e diminuir os altos índices de mortalidade infantil e materna registrados no Estado. (Link da matéria anterior)

A SESA assegurou que adotaria as medidas pertinentes, porém os problemas persistem.  O sistema de admissão de pacientes não faz a devida triagem, nem a avaliação de risco. Com isso, as mulheres que procuram a maternidade em estado de saúde considerado grave não têm garantia de que receberão atendimento preferencial.

Para atender adequadamente a demanda, dois médicos deveriam trabalhar por turno, com o auxílio de um enfermeiro fixo no setor. Atualmente, apenas uma médica e a única enfermeira deslocada para o serviço atua em mais duas áreas. O espaço destinado também é inadequado. Uma sala pequena, sem porta, onde é impossível assegurar qualquer privacidade para as pacientes.WhatsApp Image 2018 04 10 at 16.49.28

“O Hospital da Mulher Mãe Luzia não utiliza Protocolo de Gestação de Alto Risco e infelizmente não vem adotando qualquer medida para mudar esse quadro. Inconsistências como essa contribuem diretamente para que os índices de mortalidade materna e neonatal no Amapá estejam muito acima da média nacional”, lamentou a promotora de Justiça Fábia Nilci.

A Promotoria constatou ainda que no bloco de enfermarias de alto riso, uma das salas, com cinco leitos, estava interditada devido o vazamento nas instalações sanitárias de uma unidade localizada no piso superior. 

No setor de esterilização foram identificadas outras irregularidades. O espaço e o fluxo de materiais limpos e infectados estão inadequados. Dentro da sala, onde são montados os kits cirúrgicos, tem um alojamento com beliche, além de outros utensílios absolutamente impróprios para o local, como micro-ondas e televisão.

Servidores também denunciaram ao MP-AP que alguns funcionários estão apresentando problemas de saúde após contato com o ácido peracético, produto utilizado no processo de esterilização. A WhatsApp Image 2018 04 10 at 16.49.29Promotoria abriu procedimento para apurar os fatos.

“Viemos aqui na expectativa de confirmar as medidas anunciadas pela SESA, mas nada mudou. Além do que relatamos, a falta de infraestrutura é tão grande que um incidente como este do desabamento do forro obriga os funcionários a carregarem as pacientes pelas escadas, já que não há elevador”, acrescentou a promotora Fábia, que estava acompanhada da assessora técnica Elizeth Paraguassu.

Promotoria da Saúde cobra adequações

Inspeção realizada pela Promotoria da Saúde, em setembro de 2017, já revelava a situação precária na Maternidade Mãe Luzia (link da matéria https://goo.gl/fdAwTxWhatsApp Image 2018 04 10 at 16.49.29 1 ). Durante a 4ª Reunião do Comitê Estadual de Saúde do Judiciário, realizada no final do ano passado, o MP-AP apresentou relatório detalhado e pediu, novamente, providências (link da matéria https://goo.gl/YrdVSC).

Ação Judicial cobra uma nova maternidade desde 2010

Em 2010, o Ministério Público do Amapá (MP-AP) e o Ministério Público Federal (MPF) ingressaram com uma Ação Civil Pública cobrando do Governo do Estado a construção de uma nova maternidade. A ação corre na 2ª Vara do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, onde atua o juiz João Bosco Soares e, após sete anos tramitando, ainda não há nenhuma decisão sobre o caso.

 

 

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Ana Girlene

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